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Gordura não é formosura!

Globalmente a obesidade nos animais de companhia e seres humanos tem apresentado uma tendência crescente ao longo dos anos. Estes números são da Association for Pet Obesity Prevention, que estima que em 2018 60% dos gatos e 56% dos cães nos Estados Unidos tinham excesso de peso ou eram obesos. Não há estudos de incidência relativos à população de animais de companhia na Europa, mas outros relacionados mostram que a tendência por cá é a mesma. De acordo com uma publicação recente “European dog owner perceptions of obesity and factors associated with human and canine obesity”/ “Percepções de donos de cães europeus sobre obesidade e fatores associados à obesidade humana e canina”, a falta de reconhecimento da obesidade como uma doença é um fator chave, que predispõe o aumento da sua incidência, quer nas próprias pessoas, como nos seus animais. Para além deste, outros fatores predisponentes para o desenvolvimento desta doença encontram-se já reconhecidos:

  • Consumo de energia em excesso;

  • Relação emocional com os alimentos: Na nossa cultura existe uma forte ligação emocional à alimentação. Temos tendência de nos juntarmos socialmente para comer e de facilmente usarmos a comida como um modo de celebração de vários acontecimentos. Não é diferente quando falamos em celebrar a relação com os nossos amigos de quatro patas. A comida estabelece um elo forte entre nós e eles, e por isso, tendencialmente acabamos por lhes dar um aporte energético maior do que eles necessitam, mesmo que na nossa perceção, eles não estejam a comer de mais;

  • Predisposição racial: cães das raças Labrador Retriever, Cairn Terrier, Cavalier King Charles Spaniel, Scottish Terrier e Cocker Spaniel e os gatos domésticos comuns apresentam uma predisposição genética para o excesso de peso;

  • A esterilização: Não é o ato de esterilizar que vai tornar os nossos animais gordos, mas a esterilização promove uma alteração no metabolismo basal, fazendo com que este fique mais lento e conduzindo, tendencialmente, ao aumento do apetite. Não havendo um ajuste na alimentação, após a esterilização, faz com que haja um aumento no consumo energético, e isto sim, faz com que eles fiquem com excesso de peso;

  • Estilo de vida sedentário;

  • Alguns medicamentos;

  • Presença de doenças concomitantes capazes de alterar o metabolismo celular (ex: hipotiroidismo) ou prejudicando a mobilidade e consequentemente a quantidade de exercício físico (ex: doença articular).



A obesidade é uma doença que por si só gera um estado de inflamação subclínica generalizada, mas que de forma indireta acaba por afetar todo o organismo, sendo as repercussões severas:


  • Diminuição da esperança de vida (em até 2 anos);

  • Aumento do risco para o desenvolvimento de diabetes melitus;

  • Comprometimento das funções orgânicas, por depósito de gordura em torno de órgãos vitais, o que implica, uma redução na capacidade de vascularização dos mesmos;

  • Desenvolvimento de doenças articulares;

  • Intolerância ao exercício;

  • Diminuição na qualidade de vida.

O tratamento/correção da obesidade assenta sobretudo no maneiro nutricional, sendo claro muito importante aliar a prática de exercício físico e correção dos nossos comportamentos enquanto tutores.

A prevenção da obesidade deve começar logo nas primeiras etapas de crescimento, pois apesar de não existirem estudos realizados em cães e gatos, resultados obtidos em animais laboratório e em seres humanos, demonstram que a sobrealimentação com o objetivo de proporcionar uma taxa de crescimento máximo, pode resultar na hiperplasia das células adiposas (células de gordura), o que está associado ao desenvolvimento de obesidade em fases mais avançadas da vida.

A construção de um plano para perda de peso de um cão ou gato deve ser feita de forma individualizada, deve ter em consideração as necessidades energéticas do animal, mas mais do que isso, e coexistência de outras patologias, o seu estilo de vida e da família.

Saber reconhecer se o nosso animal tem excesso de peso é muito importante, para podermos de forma rápida e eficaz atacar este problema. Se ainda não o fez, tire uns minutinhos para avaliar o seu animal de acordo com a tabela abaixo e perceba se está tudo bem. Devemos fazer este exercício de forma regular, para percebermos ao longo do tempo qual a tendência da sua condição corporal.


Imagem retirada de "Diretrizes para a Avaliação Nutricional - WSAVA"