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Em caso de vómito, o que fazer?

O vómito é um dos sinais clínicos mais frequentes e inespecíficos que os nossos Mi-Ãos podem demonstrar ao longo da sua vida. Como é mais provável que isto venha a acontecer uma ou algumas vezes durante a vida deles, do que nos calhar o Euromilhões, é importante sabermos como devemos lidar com esta situação.

Em primeiro lugar seria bom conseguirmos distinguir vómito de regurgitação:

  • Vómito: Consiste no ato de expulsar conteúdo do estômago. Esta é uma ação que ocorre com movimentos coordenados de contração abdominal que precedem a expulsão do conteúdo gástrico. Pode acontecer até horas após a ingestão de alimento ou outro conteúdo.

  • Regurgitação: Consiste na expulsão de conteúdo do esófago. É um movimento passivo, em que o animal consegue facilmente expelir o que acabou de ingerir. Frequentemente este conteúdo expelido apresenta forma tubular, uma vez que, estava alojado no esófago.

No entanto, muitas vezes não assistimos ao ato de expulsão do conteúdo ingerido, e por isso, não é possível distinguir entre vómito e regurgitação. Por este motivo, e de forma a simplificar a exposição deste tema será somente utilizar o termo vómito (independentemente de ser vómito ou regurgitação).

O vómito pode ser caracterizado em agudo (ocorre de forma repentina) ou crónico (aquele que ocorre geralmente de forma esporádica e há pelo menos 3 semanas, geralmente sem comprometimento imediato do estado clínico do animal).

Mas quando o animal vomita o que se deve fazer? Existem algumas perguntas às quais devemos tentar responder, para percebermos como devemos proceder, e sobretudo, se está na hora de levar o Mi-Ão a consulta veterinária:


1- Quantos vómitos foram e qual a atitude de estado geral do animal?


1 a 2 vómitos e animal bem disposto – Manter vigilância e ver se come bem a próxima refeição, sem que o mesmo se repita.

Múltiplos vómitos e animal bem disposto – Retirar o acesso a água e comida durante 4 a 6 horas, no mínimo. Quando eles vomitam é frequente quererem ir beber água, pois ficam indispostos e, é também a forma que o organismo tem para combater a desidratação, mas entra-se aqui num ciclo repetitivo, pois ao beber voltam a estimular o vómito, é aquilo a que vulgarmente se chama de “pescadinha de rabo na boca”! Após o período acima referido, a água e alimento podem ser oferecidos mas em reduzida quantidade, para avaliar como o animal vai reagir, isto é, oferecer pouca água e comida e aguardar meia hora, se não houver vómito novamente repetir estes passos mais 2 vezes, caso o vómito persista está na hora de ir à consulta (e se for durante a noite? Caso o animal permaneça bem disposto, deve-se retirar novamente o acesso a água e comida não havendo necessidade de ir ao serviço de urgência, podendo esta consulta esperar pela manhã).

Vómitos e animal prostrado – Poderá estar ainda nauseado, se o evento ocorreu há pouco tempo. Ver restante questionário (se não houver mais respostas que levantem preocupação, monitorizar o animal - Se não melhorar nas horas seguintes levar para consulta).


2 - Qual o conteúdo do vómito?


Alimento - Vigiar e responder à primeira questão

Indefinido - Vigiar e responder à primeira questão

Biliar (amarelo), com ou sem “espuma branca” - Vigiar e responder à primeira questão

Sangue/ Espuma com cor rosada - Levar para consulta com médico-veterinário

Parasitas - Levar para consulta com médico-veterinário

Corpo estranho - Se o objeto estranho for expelido na sua totalidade (por exemplo, o cão que come um brinquedo ou uma meia e o vomita mais tarde) - Vigiar e responder à primeira questão.

Se houver dúvida que possa não ter sido tudo expelido o animal deve ser levado para consulta, de forma a avaliar a necessidade de intervenção médica, de forma a evitar uma complicação secundária como por exemplo, obstrução gástrica ou intestinal.


3 - Há a possibilidade de ter ingerido algum veneno ou medicamento nosso?


Em caso de dúvida o melhor é agir. Se consideramos que essa pode ser uma possibilidade, mesmo sem ter a certeza que o animal tenha ingerido um produto potencialmente tóxico o melhor é entrar logo em contacto com o médico veterinário para avaliar a necessidade de realizar alguma intervenção como indução de vómito, lavagem gástrica e/ ou administração de protetores intestinais (como carvão activado), que têm como objetivo diminuir a absorção do que foi ingerido.


4 - O animal está a fazer alguma medicação?


Caso o animal esteja a fazer alguma medicação é importante perceber se esta poderá causar vómito como efeito secundário, e para isso, é importante contactar o médico veterinário. Este vai informar acerca dessa possibilidade e ainda, da necessidade de substituir o atual medicamento por outro semelhante. Por exemplo, quando um animal está medicado com antibiótico, poderá ter vómito associado à sua admisnitração, neste sentido é importante contactar o médico para que ele avalie a possibilidade de mudar a medicação sem comprometer o tratamento em causa, ou, adicionar outros medicamentos, como os vulgarmente chamados "protetores gástricos" de forma a que a terapêutica possa ser continuada.

É também importante perceber se a medicação foi expelida com o vómito e se há necessidade de voltar a administrar o fármaco em causa. Geralmente, quando o vómito ocorre nos 30 minutos após a administração da medicação, considera-se que o fármaco foi expelido. No entanto, de forma a evitar uma sobredosagem, mesmo nesta situação deve-se contactar o médico e perceber como proceder.


São vários os motivos que podem causar vómito nos nossos animais de companhia, por isso, este é dos sinais clínicos mais inespecíficos que eles podem apresentar, e nem sempre tem origem em problemas gastrointestinais. Aqui ficam algumas das causas mais comuns para o vómito:

  • Indiscrição alimentar (quando comem algo que não era suposto, como por exemplo, lixo na rua!)

  • Obstrução gástrica e/ ou intestinal

  • Formação de bolas de pelo em gatos

  • Secundária a medicamentos

  • Intolerância alimentar

  • Doenças endócrinas

  • Doença renal crónica

  • Doença oncológica

  • Doenças infecciosas

  • ...


Dica: Quando um gato tem de ficar muito tempo com um colar isabelino, como o da fotografia, é importante escova-lo com frequência. Durante este período o gato não terá oportunidade de manter a sua rotina de grooming, o que conduz à acumulação de pelo no copo. Quando o colar é retirado e ele pode então retomar o grooming, acaba por frequentemente ingerir mais pelo do que era suposto num curto espaço de tempo, podendo originar bolas de pelo e, consequentemente, vómitos.


O que pode ser feito em casa?


1- Quando o animal vomita deve ser retirado o acesso a água e alimento nas horas seguintes (4 a 6 horas), para evitar o efeito "pescadinha de rabo na boca" como explicado em cima. Após esse período, a comida e água podem ser reintroduzidas gradualmente e em reduzida quantidade, para avaliar como o animal vai reagir, isto é, oferecer pouca água e comida e aguardar meia hora, se não houver vómito novamente repetir estes passos mais 2 vezes, caso o vómito persista está na hora de ir à consulta.


2- Monitorizar o estado geral


3- Não administrar medicação que usamos para nós sem recomendação do médico veterinário. Apesar de muitas vezes ser prescrita medicação de farmácia igual à nossa, temos de ter em atenção que as doses são diferentes, e nem sempre, perante o mesmo sinal clínico, estará indicada a mesma medicação.


4- Alteração da alimentação. Nem sempre será necessário alterar a alimentação do animal após um episódio de vómito, mas cada um reagirá de forma única, por isso, para muitos animais, o ato de vomitar deixa-os mais em baixo e com menos apetite, por isso, neste caso, oferecer naquele dia refeições simples cozinhadas, de fácil digestão poderá ajudar na recuperação!



Algumas perguntas frequentes


E água oxigenada para fazer vomitar, devo dar?


A administração de água oxigenada para induzir o vómito é uma prática que deve ser evitada e utilizada só em situação extrema em que não seja possível chegar em tempo útil a uma clínica/ hospital veterinário, isto porque, para além de ser pouco eficiente e na grande maioria dos casos não chegar a induzir o vómito provoca na grande maioria dos casos o desenvolvimento de uma gastrite como sequela, e, embora que muito pouco provável, poderá ainda provocar um embolo gasoso arterial.

A indução do vómito num centro de atendimento médico veterinário é executada com recurso a fármacos que em poucos minutos são eficazes na sua ação, mais seguros e diminuindo o risco de efeitos secundários.



O meu animal engoliu um corpo estranho, devo induzir o vómito?


Quando eles engolem um corpo estranho raramente há indicação para indução do vómito, pelo risco de obstrução esofágica aquando da passagem do corpo estranho novamente por esta estrutura. Geralmente nestes casos é importante perceber onde está o corpo estranho (estômago ou já no intestino) para avaliar a melhor forma de o retirar (endoscopia ou por cirurgia). Esperar que o obejto ingerido passe pelo trato gastrointestinal para ser libertado juntamente com as fezes pode, em algumas situações, ser a opção considerada, mas os riscos de obstrução e perfuração devem sempre ser discutidos.


Radiografia que mostra a presença de um corpo estranho gástrico (agulha).


Qual a vantagem em internar o meu animal?


O vómito provoca a desidratação do corpo do animal, e para além da perda de água, há ainda perda de iões essenciais para o equilibrado funcionamento do organismo. Dependendo da causa, por vezes o internamento, quando o animal fica mais em baxio, mesmo que de curta duração (durante o dia), é o suficiente para o restabelecer totalmente, pois permite a reposição de fluidos perdidos, iões e a administração de medicação anti-hemética (para parar o vómito e nausea) por via venosa ou subcutânea, garantindo a sua máxima eficácia. Isto é especialmente importante para animais jovens, com patologias debilitantes prévias ou de porte pequeno, que são aqueles que mais facilmente sofrem os efeitos da desidratação e têm mais dificuldade em recuperar.


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