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Desparasitação externa - Afinal o que devo fazer?

Atualizado: 9 de Abr de 2019


Este é dos tópicos mais abordados durante as consultas com o médico veterinário, há tantas opções no mercado que é difícil perceber como escolher a certa. Este post pretende ajudar a perceber a importância das desparasitações externas, como escolher o desparasitante certo para o seu animal e o protocolo que vai de encontro às suas necessidades e ritmo de vida.



O que é a desparasitação e quem são afinal os parasitas?


Quando falamos em desparasitação, podemos estar a referir-nos à desparasitação interna ou externa, ou seja, aquela que é dirigida aos parasitas que se encontram no interior do corpo (estômago, intestino, pulmões, coração) ou no seu exterior, respetivamente.

A desparasitação é a forma que temos de prevenir não só a infeção por parasitas, mas também, de prevenir o contágio de outros agentes infeciosos transmitidos por estes parasitas, devendo por isso, ser realizada de forma regular e controlada para ser eficiente.

No que diz respeito à desparasitação externa, temos de nos preocupar com diferentes parasitas, sendo os principais: pulgas, carraças, mosquitos e flebótomos (frequentemente denominados como “mosquito da leishmaniose”). Cada um destes agentes é responsável pela transmissão de pelo menos um outro agente infecioso (parasita ou bactéria) causador de doenças, por isso, a forma que temos de evitar este contágio é evitar que os parasitas inicialmente mencionados se consigam alimentar dos cães e gatos.

Vamos agora abordar cada um destes parasitas para termos uma ideia do seu impacto na saúde dos nossos animais:


As pulgas são pequenos insectos que picam os cães e gatos para se alimentarem, através da ingestão do seu sangue. A sua rápida movimentação no corpo do animal aliada ao seu método de alimentação são fatores responsáveis por comichão intensa e desconforto, sendo que em alguns animais, a sua presença pode ainda desencadear uma reação alérgica, com inflamação da pele, conhecida como dermatite alérgica à picada de pulga (DAPP).

Este insecto apresenta um ciclo de vida complexo composto por 4 fases. Somente na fase adulta as pulgas parasitam os cães ou gatos, sendo que nas restantes fases do seu ciclo desenvolvem-se no meio ambiente, alimentando-se de detritos aqui existentes. A quantidade de ovos libertados por cada pulga é varável de espécie para espécie, mas ao longo da sua vida (cerca de 25 dias) libertam centenas de ovos.

Como podemos ver pela imagem, quando vemos um animal infetado só estamos a observar cerca de 5% da infestação, uma vez que, a maior parte se encontra no meio ambiente, por isso, uma desparasitação eficaz deve conseguir atuar nos seus diferentes estadios de desenvolvimento. Quando tratamos um animal parasitado temos também de desinfetar o ambiente onde ele se encontra (limpar bem toda a casa usando produtos específicos para a eliminação de pulgas, aspirar bem carpetes e sofás, remexer a terra dos vasos e lavar todas as mantas, lençóis e as caminhas dos animais, pois só desta forma podemos atuar de forma eficaz e garantir a sua eliminação). É fácil levarmos connosco estes parasitas para casa, na sola dos nossos sapatos, por isso, mesmo quem tem animais que não saem de casa, estes devem ser protegidos, pelo menos nas épocas de calor (pico da sua replicação).


As pulgas podem ser vectores de outros agentes infeciosos (parasitas e/ou bactérias), vejamos: pulgas parasitadas por Dipylidium caninum (um tipo de ténia) ao serem ingeridas pelos cães ou gatos podem deixa-los também infectados com este agente, o qual se desenvolverá ao nível do seu trato intestinal, podendo assim originar doenças sistémicas associadas à má absorção de nutrientes, diarreia e perda de peso; mycoplasmas hemotrópicos são um grupo de bactérias que podem ser transmitidos pelas pulgas, e que infetam os glóbulos vermelhos do sangue de cães e gatos, originando quadros de animai com diferentes graus de severidade.


Lembremo-nos que um animal se pode encontrar infetado por diferentes agentes simultaneamente.


As carraças são artrópodes que se fixam ao hospedeiro para se alimentarem do seu sangue. Ao contrário das pulgas, geralmente não provocam quadros de comichão tão evidentes, e por isso, facilmente podem passar despercebidas durante dias no corpo dos animais, sobretudo nos que têm pelo comprido. Existem diferentes espécies no nosso país responsáveis pela transmissão de vários agentes infeciosos, os quais originam uma série de doenças, vulgarmente conhecidas como febre da carraça. Estes agentes podem infetar tanto glóbulos vermelhos (ex: Babesia), como células do sistema imunitário (ex: Rickttesia e Ehrlichia), podendo o quadro clínico manifestar-se de diferentes formas e intensidades, o mais comum é apercebermo-nos que o nosso animal está mais letárgico e com menos apetite, o que é consequência da febre, anemia e alterações orgânicas. Apesar das carraças serem mais comuns no Verão, existem também espécies que se desenvolvem a temperaturas mais baixas, por isso, devemos manter os nosso animais protegidos todo o ano. Assim como as pulgas, o ciclo de desenvolvimento das carraças é composto por 4 fases. Como se pode observar na imagem elas utilizam vários hospedeiros para se desenvolverem, e ao contrário das pulgas, os estadios mais primitivos (larva e ninfa) não permanecem em casa, mas em locais com vegetação, sobretudo ervas altas, não havendo assim a mesma preocupação em desinfestar o interior da casa quando vemos um animal parasitado.


O flebótomo é um pequeno insecto voador que apresenta atividade sobretudo ao princípio da manhã e ao final do dia, em zonas de águas paradas ou em que haja matéria orgânica (lixo, terras cultivadas com estrume, explorações pecuárias).

Todo o território de Portugal é considerado endémico, sendo que os distritos de Lisboa, Setúbal, Trás-os-Montes e Região Centro apresentam maior prevalência de cães infectados. Os cães são considerados reservatórios naturais de Leishmania e a sua infecção dá-se maioritariamente através da picada de um flebótomo infectado, encontra-se ainda descrita a transmissão por via vertical (mãe para filho), venérea e através de transfusões de sangue. Para além dos cães, também os gatos podem ser infetados com Leishmania infantum, sendo que neles, somente a transmissão através da picada do inseto se encontra de escrita. Os quadros clínicos de infecção por Leishmania são muito variados, uma vez que, este parasita infecta células do sistema imunitário, os macrófagos, qpodendo desta forma originar doença em vários sistemas orgânicos.

A prevenção de infecção faz em primeiro lugar evitando a picada do flebótomo utilizando para isso insecticidas tópicos. A aplicação de outros fármacos com intuito de evitar o desenvolvimento da doença, como a vacina ou estimulantes do sistema imunitário, deve ser avaliada de acordo e com o seu risco-benefício, discutindo o mesmo com o médico veterinário. É importante realçar que estes métodos não previnem a infecção por leishmaniose, o seu papel é tentar eliminar o parasita, ou o desenvolvimento da doença após a entrada deste no organismo, nunca substituindo a utilização de um desparasitante repelente.


Mosquitos de diferentes espécies podem ser responsáveis pela transmissão de Dirofilaria, também conhecida como o parasita ou a ténia do coração. Estes mosquitos encontram-se distribuídos por todo país, sendo que as áreas de maior prevalência de animais infectados são a ilha da Madeira, distrito de Setúbal, Lisboa, Évora e região da Figueira da Foz. A sua atividade, à semelhança do que acontece com o flebótomo, dá-se sobretudo ao final do dia, e para algumas espécies, também ao amanhecer, entre os meses de maio a outubro. Os cães são o principal hospedeiro de Dirofilaria, mas acidentalmente, o gato também o pode ser. Ainda a semelhança do que acontece com a infecção por leishmaniose, a forma mais eficaz de evitar a doença passa por repelir o mosquito evitando a sua picada, através da utilização de inseticidas apropriados. Outros fármacos que visam eliminar a infecção, caso esta ocorra, podem ser vantajosos, sobretudo em áreas endémicas, devendo estes protocolos serem discutidos com o médico veterinário.





Como escolher o desparasitado externo certo? Pipetas, coleiras, comprimidos...


Na minha opinião devemos utilizar o mínimo de tóxicos possíveis, escolhendo fármacos que consigam por si só atuar em todas as frentes. Desta forma somos eficazes a evitar que parasitas externos se alimentem dos nossos animais, evitando a transmissão de agentes infecciosos causadores de doença e a infestação do meio ambiente. Várias são as formulações existentes, por isso, começando pelos comprimidos é importante frisar que não existe nenhum até à data, que eu considero completo, uma vez que, nenhum comprimido tem efeito repelente de mosquitos e flebótomos. Deste modo, quem opta pela utilização de comprimidos terá de usar ainda outro desparasitante com efeito repelente, acabando por sobrepor ações de fármacos e aumentando a quantidade de tóxicos a utilizar no animal. Pelo fato de apresentarem uma distribuição uniforme pelo corpo do animal, a eficácia dos comprimidos não diminui com banhos outros problemas de pele que possam estar em curso, pelo que considero que o seu uso tem lugar em situações específicas e pontuais.

Entre coleiras e pipetas considero-os, dependendo da marca, igualmente eficazes, por isso são a minha principal recomendação. A escolha entre as formulações poderá depender de questões práticas, como a frequência de aplicação, estética, diminuição do risco de exposição (exemplo: quem não gosta de coleiras, pois tem crianças que brincam com grande proximidade do animal, havendo risco de ingestão do produto).

As coleiras são ideais para quem não quer ter a preocupação de mensalmente ter de colocar a pipeta.


Para quem quer usar a coleira, mas não gosta de a ver, ou tem receio dos riscos que possam advir de tocar na coleira ou da ingestão acidental de produto, pode utilizar uma coleira de adorno protetora, que por dentro permita a colocação da coleira desparasitante.

Independentemente de utilizar coleira ou pipeta o importante é respeitar os tempos de frequência de aplicação dos produtos, para não diminuirmos a sua eficácia e garantirmos a proteção dos nossos animais.



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